Sobre existir.
Não existo para me encaixar em expectativas alheias. Existo para ser eu mesmo, dentro das minhas limitações, da minha inteligência e das minhas intenções. Desculpe-me se não sou o que você esperava, mas sinto que, talvez, eu esteja aqui exatamente para causar essa dissonância entre a expectativa e a realidade.
A beleza, o conhecimento científico, as posses e o profundo domínio das letras, neste mundo passageiro, podem ser nada mais do que um passatempo para a nossa consciência. Muitas vezes, podem também nos guiar a caminhos de exaltação do próprio ego e à dor. Por outro lado, quando dedicamos nosso tempo a ser quem realmente somos, vivendo com o básico, nossa alma deixa de se prender tanto aos detalhes da forma e passa a desejar, simplesmente, expressar-se.
Considero minha mediunidade uma ponte. Existiram, existem e existirão médiuns melhores do que eu. Não estou aqui para me autopromover, nem para reivindicar qualquer posição de destaque; estou aqui para trabalhar à minha maneira, sob a minha perspectiva de realidade. O trabalho de acolhimento a mentes científicas e de diálogo com acadêmicos e eruditos já foi realizado. Essas consciências, na medida em que foram tocadas, já foram integradas e hoje atuam como guardiãs da verdade do infinito aqui na Terra. Minha missão, contudo, não é falar com elas, muito menos convencê-las. Meu propósito é ecoar uma mensagem para aqueles que compartilham da minha origem; é falar, diretamente, com quem nasceu como eu nasci.
Não tiro o mérito de quem escreve com erudição, domina o vocabulário e redige como quem recita dos mais belos poemas; isso faz bem à humanidade e torna possível uma bela exemplificação do sentimento. Eu, porém, já não vejo sentido em manter tamanhas aparências. A busca pela alta erudição talvez não faça parte da minha versão atual, que é simples, humilde e de bom coração. Essa versão que serve a Deus com amor e vontade. Essa versão representa o meu desapego gradual daquilo que me aprisiona, o meu próprio eu particular.
Sem orgulhos exacerbados, sem paixões descontroladas, sem querer preencher a expectativa do próximo para caber em um molde. Sou o que sou e me orgulho disso. Talvez esta seja a minha versão predileta de mim mesmo, pois, a partir dessa simplicidade e dessa liberdade, escolhi ser quem sou, da forma que sou.
Não fui forçado a nada, decidi por livre e espontânea vontade. E, talvez, se eu fosse diferente, não fizesse a mesma escolha de caminho. É por isso que sou grato por ser quem sou. Com todas as qualidades e defeitos que possuo, pois se não fossem eles, eu não teria me encontrado verdadeiramente.
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